31 de janeiro de 2018

[Resenha] Histórias Extraordinárias


HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 448

Livro cedido em parceria com a editora
SinopseA edição ilustrada inclui textos de Charles Baudelaire, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, que reverenciam o estilo hipnotizante do escritor mais sombrio de todos os tempos.
Histórias extraordinárias reúne dezoito contos assombrosos de Edgar Allan Poe, com seleção, apresentação e tradução do poeta José Paulo Paes. Este livro traz, entre outras obras-primas do mestre do suspense e do mistério, “A carta roubada”, “O gato preto”, “O escaravelho de ouro”, “O poço e o pêndulo” e “O homem da multidão”.
O caráter macabro das histórias, dotadas de profundidade psicológica e imersas em uma atmosfera eletrizante, continua a conquistar novos leitores e a afirmar sua condição de clássico. Nas palavras de Paes, “Poe sempre consegue […] provocar-nos aquele arrepio de morte ou aquela impressão de vida que, em literatura, constituem o melhor, senão o único, passaporte para a imortalidade”.




Mestre na criação de textos que vão da ficção científica ao macabro, Edgar Allan Poe, nessa reunião de contos, nos dá a possibilidade e o privilégio de conhecê-lo em sua essência. 

Os contos nos trazem as fobias, patologias mentais, os vícios e outras degenerações humanas, sejam elas involuntárias ou por opção, lá estão tais quadros permeando o imaginário do escritor, dando consistência ou dúvidas sobre os fatos narrados. 



Claro que não poderia aqui descrever cada conto da reunião em questão, mas cito alguns que já devem, satisfatoriamente, ilustrar o caráter de suas obras.

Em “Berenice”, o narrador Egeu, um homem introvertido perdido em devaneios vê sua atenção ser tomada por Berenice, uma jovem bela e vivaz com quem convive. Com o passar do tempo, Berenice, sempre tão radiante, é acometida por uma misteriosa doença que a faz definhar. Egeu em suas obsessões e observações passa a notar que na jovem apenas restam-lhe os dentes como testemunha de sua pretérita formosura, e razão do fascínio desmedido do narrador.

Em “Ligeia” o narrador se vê em agonia por sempre estar incompleto. Casa-se com Ligeia, amor de sua vida, mas não sente a reciprocidade de sentimento. Ligeia morre e ele casa-se de novo, porém continua refém dos sentimentos pela falecida, já que não encontra na atual o que lhe atraia na anterior.

Já no conto “Pequena Palestra com Uma Múmia”, Poe parece fazer uma crítica a um período muito racionalista, com a ciência respondendo a tudo. Neste caso trata-se de um grupo de estudiosos renomados que obtêm autorização para realizar a autópsia de uma múmia, que durante o procedimento volta à vida e passa a discutir que seria mais hábil no campo da realizações da humanidade. Isso gerou uma guerra de vaidades em as partes. 



Claro que nessa três breves citações dos contos não é possível revelar os pontos mais incisivos das histórias, visto que eu lhes retiraria a surpresa maior. Mas devo dizer que Edgar Allan Poe não economiza na dose de terror e morbidez, e serve um prato requintado aos fãs desse gênero; às vezes nos confunde no tocante a lucidez do narrador, se este realmente vivera a história ou se deixou levar, aos recônditos mais obscuros da mente, por conta do entorpecimento.

No mais, sempre vale a pena conhecer os textos de alguém que iniciou ou revolucionou o gênero de seu tempo. Este é Edgar Allan Poe, preciso, contestador e, acima de tudo, seguro da literatura que desejava fazer.




2 comentários:

  1. Olá Junior e Karla!
    Confesso que os livros do Poe me chamam a atenção, mas não tenho coragem para lê-los...sou muito, muito medrosa...rs
    Adorei o post! O livro parece muito bacana mesmo e a edição bem bonita
    Bjs
    Clauo

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  2. Olá! Acho esse autor bastante polêmico, mas ainda não tive a oportunidade de ler nada dele. Quem sabe 2018 não seja um ano para isso? Depois da sua indicação, ficou mais fácil ainda. Bjs!

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