2 de março de 2026

Resenha: O peso da inexistência

 



Marcante!


Recebido em parceria com a LC Agência de Comunicação em razão da leitura coletiva, O peso da inexistência, de Amelia Greier nos apresenta uma mulher sem nome, dentro de uma rotina exaustiva de sustentar a própria casa, enquanto tenta manter tudo funcionando. Entre tarefas, urgências e silêncios, o tempo escorre — e a vida parece sempre acontecer fora dela.

A protagonista não ter nome é, para mim, uma escolha simbólica poderosa: ela está viva, faz de tudo para sobreviver, mas não consegue existir para si. Nunca há um minuto disponível — o tempo sempre falta.

 Com três filhos pequenos e um marido que acabou de ficar desempregado, o livro trata do luto silencioso pelo que se perde quando a estabilidade acaba. Essa fase desorienta, cansa e, muitas vezes, esvazia à pessoa e às suas relações.

O livro está repleto de dramas familiares extremamente reais - do jeito que eu gosto. Entre as demandas constantes, a protagonista mal é vista — e, ainda assim, é a espinha dorsal da família, sem reconhecimento algum.

 Outro ponto central é a contradição social imposta às mulheres: criar filhos como se não trabalhassem e trabalhar como se não tivessem filhos, o que é trazido de forma brilhante na pele da protagonista. Um tema atual e incômodo, que ajuda a explicar por que tantas mulheres hoje repensam a maternidade.

A edição em capa dura, com ilustração que dialoga com a história, além de valorizar a leitura. A autora Amelia Greier demonstra talento e sensibilidade, e eu espero ler outros trabalhos seus. Recomendo fortemente!

29 de setembro de 2025

Resenha: O pijama de Nina

 


Bora falar sobre livros?

Recebi "O pijama de Nina", da @multi.leitura de autoria de @geovana.csantos publicado pela @literissimaeditora e hoje trago para vocês as minhas impressões.

Aqui conhecemos Nina, uma menina pré-adolescente que está vivendo o período de transição entre a infância e a maturidade.

Durante as festas de fim de ano em sua casa, com familiares reunidos para comemorar o Natal, ela mergulha em reflexões profundas sobre si mesma, sobre o seu lugar no mundo, sobre os seus próprios sentimentos.

Ela ganha de presente um pijama do seu tio, que é muito observador e que costuma dar presentes bem mais pessoais. Então, ela pergunta para ele a respeito do presente. E é muito interessante a conversa que eles têm a partir disso.

Está também presente no livro o incômodo da Nina com as comparações entre ela, o seu primo Raul e também com sua irmã e com outras pessoas quando tinham a mesma idade.

Nina é cobrada sobre sua falta de organização, seu destempero em algumas situações e achei interessante porque, na vida real, são cobranças que não deixam de ocorrer ao longo de toda a trajetória humana.

Eu achei um livro extremamente sensível e perfeito para pré-adolescentes que estão iniciando a jornada de construção da própria identidade.

É um momento muito delicado para identificar e se permitir viver as emoções que fluem a todo momento, e eu entendo que esse tipo de leitura pode auxiliar, por trazer o exemplo de Nina.

O livro tem uma escrita mais poética, contemplativa e introspectiva, mas para mim, a leitura fluiu normalmente.

Para fechar com chave de ouro, as ilustrações da @marianatavaresart dão um tom de emoção e trazem, de uma forma muito significativa, as memórias evocadas por Nina.

Assim, super recomendo!

E você, curtiu a resenha? Ficou com vontade de ler? Indica outros livros para pré-adolescentes? Me conta aqui embaixo.

13 de setembro de 2025

Resenha: Vento endiabrado

 


Bora falar sobre livros?

Hoje trago a resenha de "Vento Endiabrado", publicado pela @minotauro_editora , de autoria de @reginahelenapaivaramos lido para a leitura coletiva promovida com carinho pela @lcagcomunicacao

A história se passa na fictícia Jacurici, ao longo de quarenta anos, com as transformações daquela comunidade.

Conhecemos Veridiana, escultora renomada, e Venâncio, rapaz simples que se torna seu amante. A relação é complexa, cada um com seu interesse, e bastante real.

A trama se desenvolve com diversos outros personagens, tais como Carolina, que vive seus desejos; Tereza, mãe solo corajosa; o médico Dr. Zé Luiz; Dona Quicas, a fofoqueira da cidade; e diversos outros que, somados a turistas que passam pelo local, fazem o dia-a-dia da cidade.

A leitura, embora envolvente, pode ser dificultada pela linguagem pois, ao mesmo tempo em que a oralidade caiçara traz autenticidade, pode comprometer a fluência. Penso que isso não retira o mérito literário, mas exige maior atenção.

O livro me lembra a vida em cidades pequenas interioranas do Brasil, com as conversas e suas fofocas, o que reforça o caráter humano da história de vida de cada um.

Os personagens mais velhos são especialmente bem construídos, cheios de vida, sabedoria e singularidades, ocupando pouco a pouco seu espaço na trama.

E, como ressaltaria qualquer mineira encantada pelo mar, a praia é um elemento que dá frescor e beleza à narrativa, funcionando como refúgio e testemunha dos encontros - e desencontros - humanos.

Vento Endiabrado é sobre memória, pertencimento e identidade, e nos mostra como o tempo é capaz de transformar lugares e pessoas.

Apesar da dificuldade inicial que eu tive com a linguagem, a leitura foi recompensadora, pelos personagens reais, pelos conflitos que geram identificação e, sobretudo, por trazer reflexões profundas sobre escolhas de vida.

E aí, curtiu a resenha? Ficou com vontade de ler? Me conta aqui embaixo.

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