23 de abril de 2019

[Resenha] Todo dia a mesma noite


TODO DIA A MESMA NOITE
Autor (a): Daniela Arbex
Editora: Intrínseca
Ano: 2018
Páginas: 248
Classificação: 4/5



Sinopse: Reportagem definitiva sobre a tragédia que abateu a cidade de Santa Maria em 2013 relembra e homenageia os 242 mortos no incêndio da Boate Kiss.

Daniela Arbex reafirma seu lugar como uma das jornalistas mais relevantes do país, veterana em reportagens de fôlego - premiada por duas vezes com o prêmio Jabuti - ao reconstituir de maneira sensível e inédita os eventos da madrugada de 27 de janeiro de 2013, quando a cidade de Santa Maria perdeu de uma só vez 242 vidas.

Foram necessárias centenas de horas dos depoimentos de sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais da área da saúde - ouvidos pela primeira vez neste livro -, para sentir e entender a verdadeira dimensão de uma tragédia sobre a qual já se pensava saber quase tudo. A autora construiu um memorial contra o esquecimento dessa noite tenebrosa, que nos transporta até o momento em que as pessoas se amontoaram nos banheiros da Kiss em busca de ar, ao ginásio onde pais foram buscar seus filhos mortos, aos hospitais onde se tentava desesperadamente salvar as vidas que se esvaíam. Foi também em busca dos que continuam vivos, dos dias seguintes, das consequências de descuidos banalizados por empresários, políticos e cidadãos.

A leitura de "Todo dia a mesma noite" é uma dolorosa e necessária tomada de consciência, um despertar de empatia pelos jovens que tiveram seus futuros barbaramente arrancados. Enxergá-los vividamente no livro é um exercício que afasta qualquer apaziguamento que possamos sentir em relação ao crime, ainda impune.


Bom dia, queridos leitores! Mais uma vez trago para o blog a resenha de um livro que trata de uma história real: o incêndio na Boate Kiss, ocorrido em 2013, uma tragédia de proporções imensuráveis.

Como sabem, adoro livros que contam fatos reais, mesmo quando são histórias muito tristes e pesadas. Ainda não conhecia o livro, que chegou até minha estante através de uma indicação em um grupo de leitura.

A autora nos conta, pela visão dos pais, funcionários de hospitais e unidades de saúde em geral e dos sobreviventes um pouco do que foi aquele dia de horrores em que ocorreu a tragédia na boate.

São tantas mães que perderam seus filhos, filhos que perderam os pais, noivos e namorados que ficaram sozinhos nesse mundo, que me deu um aperto enorme no coração também pelos que ficaram!

O livro não é escrito em formato de história, como se fosse um romance e sim como um documentário jornalístico, com amplas informações e detalhes (alguns em excesso), que em alguns momentos atrapalham um pouquinho a fluidez da leitura.

Mesmo assim, o leitor consegue saber exatamente como se deu o incêndio e todas as consequências do desastroso acontecimento.


No livro também vemos bastante do que há de melhor e pior no ser humano. Moradores que saíram às ruas com água, lanche, roupas e outros itens a serem ofertados tanto no momento dos primeiros salvamentos, como quando a cidade se encheu de pais e parentes dos mortos e sobreviventes.
 

A grandiosidade dos taxistas que fizeram corridas grátis para pais e familiares, moradores que se uniram na busca de informações (junto aos pais dos jovens que estavam na boate) nos órgãos de saúde, e tantos outros exemplos de humanidade.

Por outro lado, a falta dela também me assustou, quando li que os preços das urnas e caixões foram inflacionados de propósito neste momento em que nada menos que 244 pessoas precisavam ser enterradas.

Ainda me choquei com a mídia, que conseguiu fotografar e fez questão de expor corpos e a tristeza dos sobreviventes, como se o sofrimento passado na boate não fosse o suficiente!

O acompanhamento da parte técnica do incêndio, do resgate e dos cuidados também não deixou a desejar. A autora nos conta toda a investigação que levou os médicos a entenderem que o motivo de tantas mortes e tão rápidas, na verdade, foi o tipo de espuma utilizado no isolamento acústico da boate (feito de maneira totalmente irregular).

É o primeiro livro que eu leio da autora e sei que ela tem outros dois na mesma linha. Sua escrita é fluida, em regra, mas pode ser que alguns leitores estranhem sua forma de escrever (o tipo de escrita dela muitas vezes me lembrou um documentário de TV).

Recomendo a quem curte livros que relatam casos reais, mas já alerto: o livro é muito triste, em muitos momentos a única coisa que você pode fazer é chorar!

Junto com aqueles jovens, com certeza morreu um pedaço de todos os brasileiros, no terceiro maior incêndio da história em local fechado.

Essa leitura faz parte do Projeto #leiamulheres, já explicado aqui no blog.


E você, já leu este livro ou outros que contam histórias reais? O que achou? Conte-nos nos comentários!






17 de abril de 2019

Novidade no blog: Colaboradora Isadora


Olá, leitores queridos! É com muita alegria que o Pacote Literário apresenta sua mais nova colaboradora: Isadora Nascimento!

Vamos conhecer um pouquinho sobre ela?

"Meu nome é Isadora Rodrigues Nascimento Santos.

Tenho 22 anos e sou estudante de Direito. Uma descrição bem comum, exceto pelo fato de eu ter baixa visão.

Nasci assim e ainda não existe possibilidade de melhora para o meu caso. Não tive que me acostumar com as minhas limitações, pois nunca conheci um mundo diferente do que vejo hoje. Sou feliz com tudo que tenho e me sinto forte para buscar meu espaço como mulher na sociedade.

Parece mentira mas, aos olhos de muitas pessoas, a deficiência é vista como uma barreira inquebrável. Como se não pudéssemos ter uma vida normal.

Eu estudo, faço estágio, adoro ler e ouvir música, gosto de sair, tenho pessoas incríveis ao meu lado e uma família que é minha fortaleza.

A minha deficiência visual não me tirou oportunidades, só me fez alcançar meus objetivos por um caminho um pouco diferente. Ainda tenho muitas coisas para conquistar.

O preconceito, a falta de acessibilidade e a falta de informação são as maiores barreiras que preciso vencer, pois a capacidade das pessoas com deficiência é questionada de uma maneira constante.

É importante não se calar, não aceitar menos do que merecemos e não perder a leveza e a positividade na hora de lidar com as limitações que nos são impostas.

Não dá para perder a esperança em acreditar num mundo melhor."

Isadora é outra apaixonada por livros, literatura, cultura e tem muito a contribuir com o Pacote Literário! 

É com muito carinho que venho lhe dar as boas vindas ao Pacote, Isadora! Peço que aqui, se sinta em casa! Tenho certeza de que nossos leitores também ficarão felizes com sua presença no blog!






12 de abril de 2019

[Resenha] Não olhe para trás

NÃO OLHE PARA TRÁS

Autor (a): 
Jennifer Lynn Armentrout
Editora: Farol Literário
Ano: 2014
Páginas: 440
Classificação: 5/5

Sinopse: Samantha é uma jovem de 17 anos rica e popular que, depois de passar quatro dias desaparecida, retorna ferida e desmemoriada. A nova Samantha não se reconhece no retrato de menina má e mimada que todos à sua volta começam a pintar. E logo descobrirá que foi a última a ver Cassie, a garota com quem mantinha uma relação confusa de amizade e rivalidade e que desapareceu no mesmo dia que ela. O que aconteceu na noite fatídica em que as duas sumiram? E por que Samantha foi a única a reaparecer? Não olhe para trás é um daqueles suspenses que só paramos de ler para tentar nos antecipar à autora e descobrir qual é o mistério.

Bom dia, queridos leitores! Esse ano tenho abusado das leituras que fogem da minha zona de conforto e "Não olhe para trás" foi mais uma dessas.

Trata-se de um suspense, gênero que normalmente não leio, pois fico extremamente angustiada para descobrir o final do livro e como cada personagem termina mas... foi uma ótima leitura!

Ganhei esse livro de uma grande amiga em 2018, com ótimas referências dela e, sim, a história superou as minhas expectativas!

O livro nos conta a história de Samantha, uma jovem que perde a memória após um grande trauma e não se recorda sequer do seu nome!



Samantha desapareceu por alguns dias juntamente com sua melhor amiga, Cassie e, ao retornar, sozinha, muitas perguntas bombardeiam a sua cabeça, bem como a de todos os alunos da escola, seus amigos, familiares e da polícia!

Com o tempo, seus amigos e familiares tentam ajuda-la a montar o quebra-cabeças de sua vida, principalmente para descobrirem o que aconteceu na fatídica noite em que perdeu a memória, mas toda a ajuda não é suficiente.

Samantha tem alguns episódios e, através de lembranças, pesadelos e instantes em que sua mente retorna ao passado involuntariamente, percebe que realmente ela era uma pessoa muito diferente do que imaginava.

Sim, a patricinha chata que todos conheceram não existe mais e algumas pessoas próximas a ela não querem a "nova Samantha" que se desenha.


"- Mas, então, a Cassie era pior... muito pior que você. E olhe que não é pouca coisa. Você mudou quando começou a andar com ela. Muitas pessoas que conheciam a Cassie... provavelmente ficaram felizes quando ela sumiu. Até mesmo as amigas dela."

Para piorar, ela descobre diversos detalhes das suas relações que não lhe agradam: ela se aproximou de muita gente que lhe queria mal e parece ter se distanciado de quem realmente gostava dela.

Será que foi assim mesmo? Com o desenvolvimento das investigações e das lembranças de Samantha, o cerco começa a se fechar e ela passa a desconfiar de todos à sua volta.

O que aconteceu com sua amiga Cassie? Por quê ela não voltou? Se ela recobrar a memória, voltará a ser aquela pessoa desprezível que era antes? Quem são as pessoas do bem e do mal que estão ao seu lado?

Você só descobrirá ao ler o livro, que tem um desenvolvimento incrivelmente interessante, de forma que o leitor não consegue largar nem por um segundo, até terminar.



Um final que, por sinal, é extremamente bem escrito, bem detalhado e, em fim, o desfecho que a Samantha merece!

Este é o primeiro livro que leio da autora e já me encantei por sua escrita muito fluida e fácil. Narrado em primeira pessoa por Samantha, é realmente difícil deixar o livro de lado.

A edição é muito bonita com uma capa interessante, que chama a atenção. A primeira página de cada capítulo, com detalhes que relembram um acidente, reforçam o ar de suspense. A revisão ortográfica é impecável!

Recomendo aos amantes de suspense e a todos que gostem de ler, porque realmente o livro ganhou total na minha classificação!


Essa leitura faz parte do desafio #12livrospara2019 e também do Projeto #leiamulheres, já explicados aqui no blog.

E você, já leu este livro ou outros do mesmo tema? O que achou? Conte-nos nos comentários!



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