13 de novembro de 2017

[Resenha] Suicidas


SUICIDAS
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 432

Livro cedido em parceria com a editora


Sinopse: Antes que o mundo pudesse sonhar com o terrível jogo da baleia azul, que leva jovens a tirara própria vida, ou que a série de televisão 13 Reasons Why fosse lançada e set ornasse o sucesso que é hoje, Raphael Montes, então com 22 anos,já tratava do tema do suicídio entre jovens, com a ousadia que virou sua marca registrada. Em seu primeiro livro, que a Companhia das Letras agora relança acrescido de um novo capítulo, conhecemos a história de Alê e seus colegas, jovens da elite carioca encontra dos mortos no porão do sítio de um deles em condições misteriosas que indicam que os nove amigos participaram de um perigoso e fatídico jogo de roleta russa. Aos que ficaram, resta tentar descobrir o que teria levado aqueles adolescentes, aparentemente felizes e privilegiados, a tirar a própria vida. Para isso, contamos com os escritos deixados por Alê, um narrador nada confiável.



Olá! 

Estou de volta com a resenha de um autor que eu adoro! Raphael Montes não é para mim apenas uma promessa da literatura nacional, mas top 3 entre autores de suspense e terror. Esse é seu primeiro romance, mas o terceiro que leio dele, por isso iniciei a leitura com grande expectativa. Ao final do livro, foi reforçada a minha crença de estar diante de um autor excepcional.



O romance traz as últimas horas de um grupo de nove amigos que decide cometer suicídio. Seus corpos foram encontrados em condições bizarras e inexplicáveis. Por isso, um ano depois das mortes, ainda não é possível compreender o que aconteceu no porão do sítio de Zak. 


Hoje é a primeira vez que pisaremos em Cyrille’s House sem nossos pais. Também não poderia ser diferente. Não estamos indo para brincar no balanço ou nadar na piscina enquanto nossas mães conversam sobre a última moda em Paris. Dessa vez, vamos por algo muito mais sério. Nós decidimos nos matar.

A narrativa intercala vários momentos: Presente (2009), quando as investigações culminam em uma reunião entre a polícia e as mães dos suicidas. Nessa reunião, a principal investigadora do caso lê as anotações de um dos personagens, narrando os momentos finais dos jovens personagens que nomeiam essa história, aproximadamente um ano antes. Há, também, trechos do diário de Alessandro, aspirante a escritor e um dos suicidas, cujos escritos são a principal fonte de informações da polícia.


É impressionante a atração humana pela desgraça alheia. É legal ver o Fulaninho casar e a Beltraninha ter filhos, mas a notícia vende muito mais se o Fulaninho mata a Beltraninha e depois comete suicídio.

Nessas mudanças de tempo e narrador, vamos conhecendo um pouco sobre a história de cada um dos personagens e como eles se uniram nesse pacto mortal. Como se conheceram? Por que decidiram cometer suicídio? Quem morreu? Quem é a mãe de cada um deles? Essas perguntas vão sendo respondidas aos poucos, enquanto somos tomados pela angústia de perceber que os personagens não são bem o que parecem. Não existe preto ou branco, mas uma imensa área cinza que os representa.


Cliquei no link, e uma nova tela se abriu. Meu antivírus surgiu, avisando que o endereço não era seguro. Que ironia. Coloquei o site em tela cheia. O fundo era preto e as letras vermelhas. Ensinava diversas formas de cometer suicídio, com explicações detalhadas, fotos e vídeos. No final, um banner luminoso convidava a pessoa a entrar no chat. Não precisava nem de cadastro. Era só criar um nome de usuário, uma senha e pronto. Você estava dentro da brincadeira.

Ao ler sobre Zak, tudo leva a crer que estamos diante de um vilão terrível. Mas todos têm um lado sombrio. Haverá algum personagem realmente inocente nessa história?


“Se quer um conselho, tome cuidado com ele”, interrompeu Yara, pendurando o pano no ombro. “Zak é o diabo. Gosta de desgraçar a vida das pessoas, gosta de fazer os outros sofrerem...”

É uma leitura intensa, incômoda em alguns momentos, com passagens obscuras e descrições terríveis. Não sei se é possível terminar o livro sem querer estrangular o Raphael Montes. Se isso acontecer com você, leia “Dias Perfeitos” e saberá o que é odiar um autor ao final do livro. É assim que ele é. Por isso é tão incrível. Então minha dica é: leia imediatamente. Você vai amar.



Beijos e boa leitura! Depois me conte sua experiência com Raphael Montes ;)


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Um comentário:

  1. Li Dias Perfeitos e também fiquei com vontade de trucidar o autor! Mas mesmo assim, fiquei com vontade de ler os Suicidas após a leitura da sua resenha!

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